é que se sente verdadeiramente a importância que alguém tem dentro de nós. talvez porque damos esse tal por garantido e isso dá-nos o direito de o tratarmos mal ou de simplesmente o ignorarmos porque no fundo, no fundo, sabemos que ele nos perdoa ou acaba por voltar. podemos simplesmente esquecer-nos desse alguém porque ele está lá. é tão comum que é algo que tomamos por garantido.
é como um membro amputado, um dente que cai. estou tão habituado a tê-lo lá que só ao passar a língua reparo no espaço vazio que fica.
e é nesse momento que gestos tão comuns um sorriso ou um gesto de cumplicidade que geralmente ignoramos se tornam inenarravelmente preciosos para qualquer um. é um sentimento que preenche o corpo como uma substância qualquer que se dissolve em água, espalhando-se tão rapidamente que nem damos conta disso. apenas surge espontaneamente na cabeça: “só agora é que reparei que… e me dei conta que…”.
aí, todas as discussões que temos não contam. todas as vezes que achamos algo chato, embirramos com detalhes desse outrém ou simples (e estupidamente, agora que reflectimos) não desejamos a sua presença… agora não contam. quanto muito contribuem para um sentimento de falsa culpa que o tempo apaga.
e pensarmos que a partida já esteve tão longe e até há pouco tempo, ao olharmos para o facto simplesmente nos rimos dele, como todos o fazem.
e depois surgem as promessas e as falsas esperanças. mas todos sabem que isso não dura. a qualquer ponto todos perdemos o contacto.
e no fim, apenas ficam as reticências.


